Quem somos, no que pensamos e o que fazemos?

Somos um Núcleo de Estudos e Práticas em Fenomenologia, Psicanálise e Gestalt. O Núcleo não é uma atividade comercial e não tem finalidade lucrativa.

A partir das pesquisas do Prof. Dr. Marcos José Müller (currículo CNPQ) junto ao Núcleo de Investigações Metafísicas do CNPq e de sua atuação nos programas de Pós-Graduação em Filosofia e em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), desenvolvemos projetos de natureza filosófica, artístico-cultural e clínica inspirados nas críticas e nos saberes da Fenomenologia, Psicanálise e Gestalt.

Psicanálise e Gestalt Descrição 1

Dr. Marcos José Muller

A referência teórica mais importante a partir da qual articulamos os significantes Fenomenologia, Psicanálise e Gestalt é o pensamento do filósofo francês Maurice Merleau-Ponty (1903-1951).  Sua obra é base para que pensemos as múltiplas aplicações da noção de Gestalt à literatura, às artes plásticas, ao cinema, ao teatro,  à música, à reflexão filosófica e aos diferentes discursos produzidos em regime clínico e a partir da clínica analítica de inspiração freudiana, o que inclui a literatura de base da Gestalt-terapia.

Psicanálise e Gestalt Descrição 2

Merleau-Ponty

Na obra de Merleau-Ponty, a noção de Gestalt pode ser compreendida, pela via da psicanálise, como representante do inconsciente pulsional e seus efeitos junto às  instituições (imaginárias) e aos discursos (simbólicos) compartilhados no laço social.  Mas, também, agora pela via da fenomenologia, Merleau-Ponty compreende a Gestalt como a forma temporal específica, segundo a qual,  em nossa experiência vivida, o passado (a que somos passivos) articula-se espontaneamente ao presente (de instituições que elegemos a partir da história) e ao futuro (de soluções que nos faltam).

Gestalt assim descrita é uma chave de interpretação da experiência, que nos permite vincular diferentes aspectos concomitantes (o real, o imaginário e o simbólico), segundo suas temporalidades características (o passado, o presente e o futuro), sem que nos obriguemos a uma síntese a partir de um axioma, lei ou finalidade. De onde se segue a ideia de que uma  Gestalt é um todo espontâneo e sem síntese.

A aplicação desta ideia de Gestalt (como um todo sem síntese) às artes, à cultura, à filosofia e à experiência clínica leva-nos a leituras de matiz ácrata, que suspendem a coerção (imposta pelos axiomas, leis e finalidades) em favor da autorização às múltiplas formas de diferenciação e implicação produzidas nas obras e discursos dos quais nos ocupamos.  Desprende-se daqui mais que um programa de investigações e práticas, uma ética, no sentido de Homero, a atitude de acolhida àquilo que não decorre das intenções, das explicações e dos imperativos, por se tratar de um “acontecimento”, este significante maior da filosofia merleau-pontyana.

Muller & Muller © 2014