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DISCURSOS CLÍNICOS SOBRE O CORPO – FLORIANÓPOLIS


Em seu primeiro ano, em 2014, o Núcleo de Fenomenologia, Psicanálise e Gestalt promoveu um estudo sobre os discursos acerca da sexualidade humana. O objetivo era demarcar a sexualidade enquanto um modo de se dizer, parafraseando-se Derrida, as condições de  impossibilidade das relações humanas. Em 2015, os estudos tiveram continuidade, mas voltados para os discursos acerca do Outro, sua configuração e surgimento no campo clínico. Tratava-se de apurar as diferentes formas de apresentação do Outro na prática clínica: o outro como imagem, como lei, como causa do desejo e como objeto do gozo.  O objetivo do Núcleo em 2016  é  promover um novo estudo, agora voltado para os discursos clínicos acerca do corpo.. Qual é o lugar e o tempo do corpo na experiência clínica? Para tal, escolhemos uma ampla bibliografia, a qual envolve, além da nosologia psicanalítica dos sintomas, a teoria fenomenológica do corpo fenomenal e a leitura merleau-pontyana do corpo enquanto carne, uma descrição das diferentes formas de configuração do corpo nos diferentes momentos de uma clínica analítica gestáltica.

Horário

das 09 h às 13h

 

PROGRAMAÇÃO:
Nos dois módulos que constituem a primeira parte deste programa de estudos, trata-se de caracterizar a maneira como o “corpo” é retratado nos discursos protagonizados pelas vítimas dos dispositivos de controle biopolítico das imagens que nos caracterizam como pessoas. Trata-se, também, de investigar as possibilidades éticas abertas pela escuta clínica ao corpo fracassado ante a expectativa de produção e consumo.

1 – WORKSHOP DE FORMAÇÃO DO GRUPO : Qual o lugar e o tempo do corpo na experiência clínica? (8h – dia 30/01/16)

 

2 - CONTROLE BIOPOLÍTICO E O MAL-ESTAR DO CORPO IMAGINÁRIO (4h – dia 27/02/16)

-Do fracasso do corpo-máquina à insatisfação do corpo-sujeito

FOUCAULT, Michel. 1976. A vontade de saber (História da Sexualidade, t. I), Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque e J.A. Guilhon Albuquerque. 12. Ed. RJ, Graal, 1988.

 

-Felicidade e consumo: interdição do erotismo no dispositivo sexual e insatisfação do corpo-sujeito

AGAMBEM. Sobre a pornografia. São Paulo. Publifolha.

 

3 – CUIDADO DO CORPO COMO ÉTICA E O ESPAÇO CLÍNICO (4h – dia 19/03/2016)

-Ver e olhar no campo clínico: o que nos vê, o que nos olha

DIDI-HUBERMAN.  O que vemos o que nos olha no cinema de Godard. São Paulo. Publifolha.

 

-Amor próprio na via do narcisismo

FREUD, Sigmund.  1976. Sobre o narcisismo. In: _____. Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Estabelecida por James Strachey e Anna Freud. Trad. José Otávio de Aguiar Abreu. SP: Imago. Vol. II

 

-Amor próprio na via do erotismo como festa

PAZ, Octavio. A Dupla Chama Amor e Erotismo. São Paulo: Siciliano, 2001

Mais além da infelicidade que experimentamos enquanto corpos sujeitados a expectativas que não logramos alcançar, descobrimos que nossa experiência do corpo-próprio é marcada por uma falta, pela ausência de algo que,  no campo da palavra, indica-nos, simultaneamente, uma singularidade e um conflito com a realidade imaginária. Razão por que transferimos ao clínico, pelo menos a ele, a suposição de que nos possa ajudar a recuperar este corpo, muito embora, diante dos indícios de sua descoberta, tendamos a defender-nos de múltiplas maneiras, inclusive com a sexualidade.

 

4 – DO IMAGINÁRIO AO SIMBÓLICO  (4h – dia 30/04/16) 

 

-Descoberta do corpo em falta no campo da palavra

BARTHES, Roland. Fragmenntos de um discurso amoroso. SP, Martins Fontes.

 

-Suposto saber sobre a falta e o clínico como corpo: a transferência

LACAN, Jacques.  O seminário – Livro 8.  Sobre a transferência. Texto estabelecido   por Jacques-Alain Miller. Trad. M. D. Magno. 2.ed.Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

 

5 – AFETO E SEXUALIDADE NOS REGIMES TRANSFERENCIAIS  ( 4h – dia 21/05/16)

 

-Sedução e defesa

FREUD, Sigmund. 1913. Sobre o início do tratamento (Novas recomendações sobre a técnica da Psicanálise I). In: _____. Op. Cit. 1976. Vol. XII. FREUD. 1914g. Recordar, repetir e elaborar. In: _____. 1976. Op. Cit. Vol. XII.

 

-O amor clínico como amor datado

LACAN, Jacques. 1959-60. O seminário – livro 7. A ética da psicanálise. Versão de M. D. Magno – 2.ed. – RJ: Zahar. 1986

 

-A ética da experiência clínica: o sexo enquanto impossibilidade da relação.

MILLER, Jacques-Alain. Silet – os paradoxos da pulsão de Freud a Lacan. RJ, Zahar.

 

6 – CORPO ONÍRICO E DRAMATIZAÇÃO NOS “ EXPERIMENTOS CLÍNICOS” (4h – dia 18/06/16)

 

-Sonho como defesa: do corpo adormecido (Freud) ou do corpo pulsional

MERLEAU-PONTY, Maurice. O corpo como ser sexuado, In:______. Fenomenologia da percepção. SP, Martins Fontes

 

-Sonho como poética: a construção do corpo onírico como arquitetura do desejo

PERLS, HEFFERLINE E GOODMAN. Verbalização e poesia. In:_____. Gestalt-terapia. SP, Summus

 

-Redescoberta da espacialidade do corpo-próprio: desejo como olhar e percepção

MERLEAU-PONTY, Maurice. O quiasma, In: _____. O visível e o invisível. SP, Perspectiva.

Se as defesas sexuais e afetivas não forem suficientes para procrastinarem o encontro com o conflito entre a realidade (imaginária) e o corpo (real) que perdemos, podemos radicalizar aquelas defesas, o que nos levará aos sintomas, sejam eles conversivos, fantasmáticos ou delirantes .

 

7 – WORKSHOP – DO CORPO FALADO AO CORPO FALIDO (8h – dia 30/07/16)

 

8 – FALTA DE PALAVRA E ANGÚSTIA: CONVERSÃO SOMATOFORME  ( 4h – dia 27/08/16)

FREUD, Sigmund. Um caso de histeria. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade e outros trabalhos. Op. Cit. Vol. II

 

9 –  FALTA DE PALAVRA E CONTROLE: CORPOS FANTASMÁTICOS (4h – dia 24/09/2016)

FREUD, Sigmund. 1924b. O problema econômico do masoquismo, In: _____. 1976. Op. Cit. Vol. XIX ZIZEK, Slavoj. 0 amor impiedoso (ou: Sobre a crença). SP, Autêntica

 

10 – FALTA DE PALAVRA E METÁFORA: PSEUDO PSICOSE (4h – dia 21/10/16)

FREUD, Sigmund. 1924a. A perda da realidade na neurose e na psicose, In: _____. 1976. Op. Cit.. Vol. XIX

MÜLLER, Marcos José. Falsas psicoses., In: BELMINO, Marcus Cézar. Gestalt-terapia na saúde pública.

A desconstrução clínica das conversões somatoformes, fantasmáticas e pseudo delirantes costuma abrir-nos para aqueles aspectos irredutíveis do corpo simbólico, os quais, simultaneamente, põe-nos em presença do real da ausência e de um resto de presença, por cujo meio aquela ausência torna-se, agora,  menos angustiante. Ao contrário, ainda que estes restos não constituam para nós imagens que pudéssemos sentir (como numa apreensão estética), eles ao menos fazem elevam a impossibilidade da estética à condição de um novo tipo de saber.

 

11- OS RESTOS DE CORPO NA DESCONSTRUÇÃO CLÍNICA – (8h – dia 29/11/16)

 

-Teoria freudiana: pulsão oral, anal e genital

FREUD, Sigmund.  1976. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade . In: _____. Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Estabelecida por James Strachey e Anna Freud. Trad. José Otávio de Aguiar Abreu. SP: Imago. Vol. VII

 

-Pulsão escópica e de pensamento

LACAN, Jacques. 1964. O seminário. Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. M. D. Magno. 2.ed.Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

 

-O  não-corpo no gozo feminino

LACAN, Jacques. 1972. O seminário. Livro 20: mais, ainda. Texto estabelecido por Jacques-Alain

 

WORKSHOP – DISCURSOS SOBRE OS RESTOS COMO INESTÉTICA DO CORPO PRÓPRIO ( 8h – dia 17/12/16)

 

-Gozo como discurso de poder : os quatro discursos (Lacan)

LACAN, Jacques. 1969. O seminário. Livro 17: O avesso da psicanálise. Texto estabelecido por Jacques-Alain

 

-Corpo como arte e o prazer como verdade

BADIOU, Alain. Pequeno manual de inestética.    

Muller & Muller © 2014