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GRUPO DE ESTUDOS EM FILOSOFIA FENOMENOLÓGICA FRANCESA


Este é um projeto de extensão voltado para estudantes de graduação e pós-graduação interessados no estudo filosófico da fenomenologia francesa. Uma vez que a história do pensamento fenomenológico francês remonta à década do trinta (onde apresenta sua primeira recepção dos pensamentos de Edmund Husserl e Martin Heidegger), este grupo apresentará uma mostra representativa desta escola mediante problemas específicos, buscando constantemente fomentar o debate acerca das principais problemáticas decorrentes desta escola. Como objetivo primário, atentaremos à perspectiva de uma visão introdutória que permita iniciar à estudantes das ciências sociais e humanas; para então, em segunda instância, debater com representantes desta geração, discutindo junto a filósofos de gerações posteriores que aderiram à fenomenología e outros de grande importância para o entendimento deste período.

1) Proporcionar acesso às principais temáticas que foram e continuam sendo pertinentes ao escopo fenomenológico francês;

2) Introduzir alguns dos determinantes teóricos responsáveis para a fomentação do método fenomenológico, da corrente existencialista e de suas rupturas posteriores;

3) Apresentar os conceitos fundamentais da fenomenologia francesa, tais como: tempo, percepção, corpo, intersubjetividade, liberdade, humanismo, absurdo, etc.;

4) Promover o diálogo entre diferentes vertentes que a fenomenologia assume na França, assim como algumas de suas criticas subssequentes.

Este projeto justifica-se não apenas pela relevância e atualidade de sua temática dentro das correntes filosóficas fomentadas após o sec. XIX, mas também por sua ampla demanda dentro da própria academia. Dadas as problemáticas de nossa contemporaneidade, pode-se observar que as temáticas abordadas na corrente fenomenológica francesa se fazem atuais para compreender nossa época, seja pela via da ontologia, da percepção, do existencialismo, da política e da cultura em geral. Acreditamos que uma abordagem filosófica do tema possa possibilitar acesso a determinados conteúdos e debates ainda pouco trabalhados mas que nos são recorrentes tanto na academia, quanto em nosso cotidiano. A fenomenologia se mostra como um escola reativa frente a correntes de pensamento naturalistas e idealistas arraigadas ao longo da modernidade.

Com a finalidade de promover o estudo e o debate filosóficos, o presente projeto elege a história da fenomenologia francesa como matriz norteadora dos temas e autores expostos e discutidos nos encontros. Sem deixar de levar em consideração as contribuições de filósofos como Kant, Husserl e Heidegger para a construção da fenomenologia de modo geral, o nosso escopo é, sobretudo, o modo como a filosofia fenomenológica incide nos pensadores francófonos, do fim do século XIX em diante, e como a filosofia francesa, com a fenomenologia e depois dela, reage às grandes narrativas da modernidade pautadas no iluminismo, no idealismo, no cientificismo, no subjetivismo e na filosofia da consciência. A fenomenologia francesa impõe uma transformação paradigmática, que toma corpo no século XX: diversas áreas do conhecimento como a sociologia, a história, a literatura e a psicanálise são afetadas pelas premissas e consequências, seja do existencialismo de Sartre seja da ontologia de Merleau-Ponty. Arbitrariamente, identificamos aqui em Bergson o começo de uma reflexão sobre o tempo como princípio da relação entre corpo e espírito, que será já indício daquela transformação paradigmática. O problema do tempo será radicalizado, tanto na procedência da existência em Sartre como na ontologia da carne e na passividade em Merleau-Ponty, orientando meditações sobre o humanismo, a arte, a noção de liberdade, a insubmissão do corpo e o elemento passional da política.

Por fim, após a exposição e o debate do pensamento fenomenológico francês, de seu alcance em outras áreas do conhecimento, e do exame mais detalhado sobre as obras de Merleau-Ponty e Sartre, cabe-nos discutir os traços das rupturas e continuidades desta escola nas gerações francesas da metade do século XX: eis o que pretendemos elucidar na investigação de autores como Lyotard, Levinas e Derrida. Abrindo o projeto ao estudo das consequências da fenomenologia francesa nas gerações subsequentes tornamo-nos aptos também ao exercício da crítica, dispomo-nos de uma posição menos dogmática, e podemos ainda mensurar, mesmo que de modo provisório ou incompleto, o peso da fenomenologia francesa no pensamento filosófico contemporâneo.



Data Local Tema/Autor Conteúdo Responsáveis
02 de Setembro Sala 323, CFH Introdução à Fenomeologia Lyotard (1904-1998): A
Fenomenologia

Merleau-Ponty (1908-1961):
Conversas – 1948

Ministrantres:
Mariana & Paulo
Debatedor: Lauro
09 de setembro Carolina Bori, Departamento de Psicologia, CFH Introdução à Fenomeologia Bergson (1859-1941): Materia & Memória

Sartre (1905-1980): Uma ideia fundamental da fenomenologia de Husserl : a intencionalidade

Ministrantres: Helen & Diego Rodstein
Debatedor: Lauro
23 de setembro Carolina Bori, Departamento de Psicologia, CFH Existencialismo, fenomenolgia e ontologia Sartre (1905-1980): Transcendência do Ego Ministrantre: Diego Rodstein & Helen
Debatedor: Fabiola Langaro
30 de setembro Carolina Bori, Departamento de Psicologia, CFH Existencialismo, fenomenolgia e ontologia Sartre (1905-1980): O Ser e o Nada Ministrantre: Diego Rodstein & Helen
Debatedor: Daniela Ribeiro Schneider
14 de outubro Carolina Bori, Departamento de Psicologia, CFH Fenomenologia e Ontologia Merleau-Ponty (1908-1961): Fenomenologia da Percepção Ministrante: Diego Warmling & Paulo
Debatedor: Anderson Kaue Plebani
21 de outubro Espaço Pedagógico I (EPC I), Departamento de Psicologia, CFH Fenomenologia e Ontologia Merleau-Ponty (1908-1961): O Visivel e o Invisível Ministrante: Diego Warmling & Paulo
Debatedor: Anderson Kaue Plebani
28 de outubro Carolina Bori, Departamento de Psicologia, CFH Fenomenologia e Política Sartre (1905-1980): Materialismo e Revolução

Merleau-Ponty (1908-1961): Nota Sobre Maquiavel

Ministrantes: Cedric & Diego Warmling
Debatedor: Julio Tomé
04 de novembro Carolina Bori, Departamento de Psicologia, CFH Filosofia do Absurdo Camus (1913-1960): Mito de Sísifo Ministrante: Diego Rodstein
Debatedor: Helen
11 de novembro Carolina Bori, Departamento de Psicologia, CFH Recorrências e rupturas da fenomenologia Levinas (1906-1995): Totalidade e infinito

Derrida (1930-2004): Voz e o Fenômeno

Ministrantes: Mariana & Cedric
Debatedor: A definir
18 de novembro Carolina Bori, Departamento de Psicologia, CFH Recorrências e rupturas da fenomenologia Lyotard (1924-1998): O Inumano Da impossibilidade da fenomenologia – Éric Alleiez Ministrantes: Mariana & Cedric
Debatedor: A definir

ALLIÉZ, E. Da impossibilidade da fenomenologia. São Paulo: Editora 34, 1996.

BERGSON, H. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. São Paulo: WMF Martins
Fontes, 2010.

CAMUS, A. O mito de Sísifo. 2ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara, 1989.

DERRIDA, J. La voz y le fenómeno: Introducción al problema del signo en la fenomenología de Husserl.
Valencia: Pre-textos. 1985.

DUPOND, P. Vocabulário de Merleau-Ponty. São Paulo: Wmfmartinsfontes, 2010.

GILES, T. Critica fenomenologica da psicologia experimental em merleau-ponty. Petropolis: Editora Vozes
Ltda, 1979.

LEVINAS, E. Totalidade e infinito. Lisboa: Edições 70, 2011.

LYOTARD, J-F. O inumano – considerações sobre o tempo. Lisboa: Editorial Estampa, 1990.

LYOTARD, J-F. A fenomenologia. Lisboa: Edições 70, 2008.

MATTHEWS, E. Compreender Merleau-Ponty. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010

MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 2011

____. Humanismo e terror: ensaio sobre o problema comunista. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1968

____. Nota Sobre Maquiavel. In: MERLEAU-PONTY, M. Signos. São Paulo: Martins Fontes, 1991b, pp. 237-252.

____. O visível e o invisível. São Paulo: Perspectiva, 4ª edição, 2012

____.Conversas-1948. São Paulo: Martins Fontes, 2004

MOUTINHO, L. D. Sartre: psicologia e fenomenologia. São Paulo:Brasiliense, 1995.

PRADO JÚNIOR, B. Presença e campo transcendental: consciência e negatividade na filosofia de Bergson.

São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1988.

SARTRE, J.P.A transcendência do Ego. Lisboa: Colibri, 1994.

_____, J.P. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução de Paulo Perdigão. Petrópolis:
Vozes, 2009.

_____, J.P. Uma ideia fundamental da fenomenologia de Husserl: a intencionalidade. In. Situações I. Trad.
Cristina Prado. São Paulo: Cosac & Naif, 2006.

_____, J.P. La república del silencio. Buenos Aires: Editorial Losada, 1960.

SILVA, F. L. Bergson: intuição e discurso filosófico. São Paulo: Loyola, 1994.

SILVA, L. D. Negatividade na ontologia fenomenolófica de Sartre – a liberdade como fundamento do mundo. In:
Experimentações filosóficas. São Carlos: EdUFSCAR, 2009.

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